By (Ana) Lou de Olivier publicando hoje a verdade de amanhã
 Lou de Olivier - Psicopedagoga, Psicoterapeuta, Especialista em Medicina Comportamental, Bacharel em Artes Cênicas e Artes Visuais. Precursora da Multiterapia e Criadora do Método Terapia do Equilíbrio Total/Universal.
Detectora do Distúrbio da Dislexia Adquirida/ Acquired Dyslexia.
É também Dramaturga e Escritora (vários gêneros).  
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RELATOS E ANÁLISE DE CASOS

 
Caso 1: Carlos 

Carlos: Nasceu em 17/7/90, numa cesariana após nove meses de gravidez. A mãe precisou usar balão de oxigênio durante todo o parto, a criança usou balão por algumas horas, tendo nascido com a pele totalmente roxa. Segundo a mãe, esta criança passou da hora de nascer. Existem casos de hipertensão na família.
No teste cognitivo, conseguiu reproduzir de forma razoável as figuras 1, 2 e 3.
Depois de tentar reproduzir a figura 4 por várias vezes, acabou reproduzindo novamente a figura 3.
Também não conseguiu reproduzir a figura 6, confundiu-a com a nº 5.
Não reproduziu as figuras 7, 8, 9, 11 e 12.
Reproduziu a figura 10 com numeração 7.
Não conseguiu reproduzir as figuras do teste III ( ABC ), inclusive não conseguiu escrever o “ B ”, reproduziu o “ P ”, apesar de estar copiando da lousa.
Recusou-se a fazer os testes II e V, permanecendo calado o tempo todo e não reagindo a nenhuma pergunta e/ou estímulo.
Antes de terminar o teste, levantou-se da carteira, correu para a porta e começou a batê-la violentamente, não parando até que a supervisora de alunos, chegou e o levou para a diretoria.
 
Segundo o livro Dislexia ( Implicações do Sistema de Escrita do Português ) pg. 144, esta criança apresenta características da “ alexia pura ” ou cegueira verbal pura ( CVP ) , que pode ser causada por lesões occipitais esquerdas em diferentes localizações e caracteriza-se por graves problemas de compreensão da linguagem escrita, leitura em voz alta e dificuldades na cópia, visto que a criança só reproduziu quatro das doze figuras do primeiro teste e não reproduziu as figuras do teste III do “ ABC” , inclusive sem conseguir copiar as letras escritas na lousa.

Pela forma como a criança agiu durante a aplicação dos testes de memória, totalmente alienada e depois levantou-se correndo até a porta, repetindo movimentos agressivos e contínuos ( batendo violentamente a porta), presume-se que ela também tenha características autistas.
 
Segundo o Manual de Psiquiatria Infantil, pg. 698, a criança autista apresenta uma incapacidade para manter a constância da percepção, o que significa dizer que percepções idênticas, provindas do ambiente, não são experimentadas como sendo as mesmas a cada vez.

Esta incapacidade tem por resultado, ao acaso, uma subcarga ou uma sobrecarga do sistema nervoso central (E. M. Ornitz e E. R. Ritvo – 1968).

Para B. Bettelheim ( s/d ), a criança autista só vê o que tem sentido para ela e ignora todos os estímulos sem importância. Utiliza os sentidos não para apreender o mundo, mas sim para se defender das experiências aterradoras.

Num estágio mais “leve”, pode-se dizer que esta criança apresenta características limítrofes.
 
Conforme o Manual de Psicopatologia Infantil, pg. 149, “o fracasso escolar caracteriza estas crianças que, até o ingresso na escola tiveram, na maior parte das vezes, um desenvolvimento psicomotor normal”.

Na pg. 150, complementa: “a tendência a manifestações comportamentais: Instabilidade, reação de prestância, podendo chegar a reações coléricas diante do fracasso”.

Estas colocações também devem servir para justificar o comportamento de Daniel (criança a ser analisada logo após Carlos), pois, além de não conseguir reproduzir nenhum dos desenhos, nem fazer nenhum dos testes, Daniel, ao tentar fazer uma lição sem êxito, já teve vários “ ataques histéricos ”, os quais me foram relatados pela professora.
 
 
Ao lado, a análise do caso Daniel


 
Parte integrante da pesquisa de Lou de Olivier publicada em 1997 no Brasil e Europa. Permitida a utilização deste texto citando-se a fonte, autoria e anexando este deste link.






  Análise dos alunos testados ( os nomes são fictícios ) As análises referem-se apenas aos dois casos mais complexos.

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Caso 2: Daniel


Daniel: Nasceu em 2/12/90, num parto normal após oito meses de gravidez. Segundo os pais, esta criança nasceu com mielite, não sabem explicar direito, mas a criança sofreu reanimação e, em seguida foi operada. Essa criança não anda, é muito lenta em seu aprendizado. Segundo a professora, costuma ter crises que “ lembram a histeria ” cada vez que fracassa na escrita, cópia, etc.
Às vezes, ele é agressivo com os colegas e às vezes é disperso ao extremo.

Daniel tentou, mas não conseguiu reproduzir nenhuma figura do primeiro teste. Também não conseguiu reproduzir as figuras do teste III ( ABC ).
Na memória de palavras/figuras, teste II, lembrou-se de gato, carro e pé, que, na realidade, é mão.
Da estória do teste V, apenas lembrou-se da “ menina que chorou muito ”.
Ao se perguntar porque a menina chorou muito, ele diz não se lembrar. E continua respondendo que não se lembra para perguntas do tipo: “Como se chamava a menina?”,  O que ela comprou?”, Etc.

Pedi a esta criança que desenhasse sua família e este é o único material disponível para análise.


Segundo o Manual de Psiquiatria Infantil, pg. 249, esta criança apresenta distúrbios importantes pelo fato do seu desenho reproduzir de forma rudimentar as figuras humanas, com traços particulares ( por exemplo: o irmão altíssimo com três cabeças).

Segundo o Manual de Psicopatologia Infantil, pg. 244, “a dificuldade do desenho da figura humana: Homem girino, homem sem fundilhos, corpo despedaçado, desrespeito as proporções em vista da idade... O problema essencial continua sendo a articulação entre a deficiência mental e a sintomatologia de funcionamento psicótico concebidos um e outro, quer como testemunho de uma organização antinômica (posição inicial de inúmeros psiquiatras: Somente as crianças inteligentes poderiam ser psicóticas, sendo as outras nada mais do que débeis), quer como condutas clínicas que não pressupõem necessariamente uma etiopatia própria."




Parte integrante da pesquisa de Lou de Olivier publicada em 1997 no Brasil e Europa. Permitida a utilização deste texto citando-se a fonte, autoria e anexando este deste link.
Leia a sequencia desta pesquisa (discussão e conclusão) clicando aqui: discussao e conclusao