By (Ana) Lou de Olivier publicando hoje a verdade de amanhã
 Lou de Olivier - Psicopedagoga, Psicoterapeuta, Especialista em Medicina Comportamental, Bacharel em Artes Cênicas e Artes Visuais. Precursora da Multiterapia e Criadora do Método Terapia do Equilíbrio Total/Universal.
Detectora do Distúrbio da Dislexia Adquirida/ Acquired Dyslexia.
É também Dramaturga e Escritora (vários gêneros).  
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MATERIAL E MÉTODOS

Após extensas pesquisas, usando-se o pouco material (atual) disponível nos idiomas Inglês, Espanhol e Português chegou-se a uma razoável fundamentação teórica e percebeu-se a necessidade de comprovar esta teoria na prática.

Aliás, essa vivência prática já havia sido sugerida pelo orientador desta pesquisa, mas só depois de concluir a fundamentação teórica é que entende-se a real necessidade da vivência prática

Foram escolhidas três escolas para pesquisar, sendo uma pré-escola com crianças de seis a sete anos pertencentes à classe média, uma escola particular com alunos cursando a primeira série com idade entre seis e sete anos, pertencentes à classe média/alta e uma escola pública com alunos de sete a oito anos, também cursando a primeira série pertencentes às classes média/baixa, num total de oitenta alunos.

 
Os critérios para denominação de classes foram: valor das mensalidades (quando pagas), padrão de vida (mediante pesquisa/questionário/entrevista), número de integrantes ativos ou dependentes na família, local de moradia e renda familiar.
 
Leia ao lado a descrição detalhada do material e métodos utilizados nesta pesquisa.
 


Parte integrante da pesquisa de Lou de Olivier publicada em 1997 no Brasil e Europa. Permitida a utilização deste texto citando-se a fonte, autoria e anexando este deste link.

Descrição detalhada do material e método utilizados
Acesse todo o conteúdo ja pesquisado e divulgado por
Lou de Olivier
em seu portal:
 
www.loudeolivier.com
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Iniciou-se esta pesquisa de campo propondo uma reunião com os pais, onde explicou-se o porquê desta pesquisa, a importância do acompanhamento que seria feito, não só para a pesquisa, mas, acima de tudo, para o aprendizado das crianças e a necessidade da colaboração dos pais.

Nesta primeira reunião, pediu-se aos pais que enviassem com urgência a “declaração de nascido vivo” de seus filhos. Este é um documento que todo hospital fornece na ocasião do nascimento de uma criança e ele é tão importante, que é obrigatório por lei levá-lo ao cartório para registrar a criança.

Por isso, foi espantoso constatar-se que a grande maioria dos pais e até mesmo professores, coordenadores pedagógicos e diretores, desconhecia a existência deste documento e, das oitenta crianças, apenas quatro apresentaram o referido documento.

A princípio, isso representou certo grau de dificuldade, porque dependia-se deste documento para detectar-se uma anoxia perinatal, através do “índice de Ápgar”, sendo este o únicomeio para afirmar-se com precisão a ocorrência ou não da anoxia perinatal.

Durante uma semana, foram acompanhados os alunos em sala de aula, em atividades de artes, matemática, ditado, redação e, em horário de lanche, em atividades recreativas. Houve oportunidade de ver o quanto a maioria deles era dispersa e problemática, não só na aprendizagem, mas também no relacionamento com a professora e com colegas, mas ainda não havia o ponto de partida, justamente o que era preciso saber para comprovar a teoria.

Depois de uma semana, com mais ênfase na observação do que na interação com os alunos, resolveu-se criar um questionário com perguntas específicas que, respondidas com precisão, dariam elementos para comprovar uma anoxia perinatal, ainda que apenas por aproximação.

As perguntas foram elaboradas de forma simples e direta para que qualquer pai ou mãe pudesse responder sem problemas, esclarecendo dados como local e hora de nascimento, tipo de parto, quanto tempo a criança demorou para chorar, se criançae/ou mãe necessitaram de balão de oxigênio, se há casos de diabetes e/ou hipertensão na família, etc.

Desta vez o retorno foi bem maior, ou seja, das oitenta fichas distribuídas, setenta voltaram preenchidas. Alguns detalhes foram esquecidos, algumas perguntas respondidas com um Ingênuo “não sei” ou “não me lembro”, mas, ao menos voltaram aproximadamente 88% das fichas.

Deu-se continuidade ao acompanhamento dos oitenta alunos por mais uma semana, revezando horários entre as três escolas que, estrategicamente, situam-se próximas umas das outras.

Na segunda semana decidiu-se encerrar o acompanhamento dos vinte alunos da pré-escola porque os pais não pareciam dispostos a colaborar, (todas as dez fichas não devolvidas eram desta pré-escola), além disso os alunos eram dispersos ao ponto de não responderem a nenhuma pergunta ou teste e até a professora não parecia à vontade com a presença de uma pesquisadora.

O próprio espaço físico desta escola não permitia esta presença. A sala com metragem de aproximadamente 4x3m, tinha vinte carteiras amontoadas, com seus respectivos alunos não menos amontoados, a professora não tinha mesa, lecionava em pé, deixando seus materiais empilhados em frente a pequena lousa, o que dificultava o ato de escrever na mesma.

Tudo isso numa sala subterrânea, pois essa classe situa-se no porão de uma casa cheia de escadas e “labirintos”.

Diante disso tudo, decidiu-se continuar a pesquisa nas outras duas escolas, deixando esta pré-escola de lado, esperando que os órgãos competentes sejam suficientemente competentes para fiscalizar esse tipo de “ escola ”, visto que os fatores que dificultavam o andamento da pesquisa aqui eram alheios ao objeto da pesquisa em si.

Continuou-se acompanhando sessenta alunos da primeira série do primeiro grau, sendo vinte na escola particular e quarenta na escola pública.

Na terceira semana de acompanhamento, surgiu a oportunidade de aplicar os testes: Reprodução de traçado / desenvolvimento cognitivo (Esther Pillar Grossi) e ABC (Lourenço Filho) nos alunos da escola particular. Estes testes serão descritos na seqüência da escola pública.

Todos os alunos foram razoavelmente bem nos testes, inclusive Rodrigo, o único que, por dedução (através da ficha respondida) pode ter sofrido anoxia perinatal.

Aproveitou-se a reunião de pais e mestres para reunir-se novamente aos mesmos e conversar sobre alguns problemas de aprendizagem detectados em alguns alunos e também para esclarecer dúvidas dos pais em relação aos filhos, à pesquisadora e até mesmo à Psicopedagogia, pois a grande realidade é que a maioria dos pais, professores, coordenadores pedagógicos e diretores desconhecem totalmente o que vem a ser um Psicopedagogo.

Após essa reunião, passou-se a acompanhar com exclusividade a escola pública. E só aí pôde-se verificar a grande diferença entre a realidade da escola pública e a da particular.

Os alunos da escola pública, em sua maioria, têm um baixo padrão de vida. Seus pais, geralmente, trabalham muito, têm muitos filhos, o que os impede de assessorá-los. As mães, ao engravidarem, raramente fazem pré-natal, na ocasião do parto, não têm acesso a hospitais bem equipados, enfim, tudo isso torna essas crianças mais vulneráveis, sujeitas a partos complicados e arriscados.

Uma outra diferença gritante entre as duas escolas é que, enquanto os pais da “escola particular” faziam mil perguntas e exigências e os pais dos alunos da pré-escola recusavam-se até a preencher uma ficha, os pais da escola pública faziam tudo para colaborar, mesmo sem entender direito o propósito da pesquisa.

Uma das mães chegou a escrever no item “obs.” da ficha relatório, o seguinte: “Obrigada por vocês se preocuparem com a saúde da minha filha. Que Deus abençoe a todos” (!).

Sem dúvida, comentários desse tipo não só comprovam a humildade da mãe desta criança como vem servir como raro incentivo à quem se dispõe a pesquisar temas como o proposto neste trabalho.

A classe, em alguns momentos, tornava-se insuportável, mas a professora, extremamente dedicada, sempre contornava a situação.

Tentou-se analisar alguns trabalhos destas crianças, mas elas eram dispersas (até mesmo pela presença da pesquisadora em sala de aula) e, por isso, nunca conseguiam terminar os trabalhos.

Teoricamente, havia uma comprovação de que anoxia perinatal pode gerar déficit de aprendizagem, mas na prática, ainda não. Todos os alunos pareciam ter problemas de aprendizagem e, por mais que se analisasse as fichas e o comportamento das crianças, não se conseguia chegar a uma conclusão lógica.

Devido a dificuldades já descritas, a pesquisa foi interrompida por pouco mais de um mês, para que outros métodos pudessem ser analisados e outras avaliações fossem elaboradas.

Após aproximadamente quarenta e cinco dias, retomou-se a pesquisa, a partir das fichas/relatório que haviam sido preenchidas no início da mesma.

Foram analisadas minuciosamente cada uma das quarenta fichas e separadas as dez que, por aproximação, sugeriam uma anoxia perinatal. Foi-se novamente à escola para ver quantos deles estavam em recuperação.

Por uma grande coincidência, a recuperação estava iniciando-se naquele dia e houve a oportunidade de encontrar sete das dez crianças que haviam sido selecionadas. Um número significativo que, teoricamente, representa 70%.

No mesmo dia, aplicaram-se os testes “Reprodução de Traçado” e “ABC” nestas sete crianças.

Os referidos testes são:
Reprodução de Traçado/Fundamentos do Processo Cognitivo (Profa. Esther Pillar Grossi- com influência do teste visomotor de Lauretta Bender )

Trata-se de um teste constituído de doze figuras geométricas que os alunos precisam reproduzir cada um numa folha em branco que receberam previamente.

As figuras devem ser mostradas aos alunos por trinta segundos, depois devem ser “escondidas”, para que os alunos reproduzam em suas folhas.

Esta classe requereu que se mostrassem as figuras por quase sessenta segundos cada e, em alguns casos (interseção), também que as reproduzisse na lousa. E, mesmo assim, alguns deles não conseguiram uma boa reprodução.

Este teste foi coletivo.

Do teste ABC (Prof. Lourenço Filho), usaram-se os testes II, III e V, que consistem em:

Teste III: São três figuras que deverão ser reproduzidas no ar pelo examinador, usando seu dedo indicador. Em seguida a criança, também usando seu dedo indicador, deverá imitar o movimento feito pelo examinador.

E, finalmente, a criança deverá reproduzir essas figuras num papel. Cada uma a sua vez, é óbvio.

Seguiu-se toda essa seqüência por três vezes, depois desenhou-se as figuras na lousa. E, mesmo assim, alguns alunos tiveram problemas na reprodução, como será analisado logo mais.

Este teste foi aplicado coletivamente em seqüência ao teste cognitivo.

Teste V: É contada a seguinte estória: “Maria comprou uma boneca. Era uma linda boneca de louça. A boneca tinha olhos azuis e um vestido amarelo. Mas, no mesmo dia em que a comprou, a boneca caiu e partiu-se. Maria chorou muito”.

Ao ouvir esta estória, a criança tem que recontá-la, ou seja, dizer o que se lembra da estória que acabou de ouvir.

Este teste foi aplicado individualmente.

Parte integrante da pesquisa de Lou de Olivier publicada em 1997 no Brasil e Europa. Permitida a utilização deste texto citando-se a fonte, autoria e anexando este deste link.
Leia a sequencia desta pesquisa (detalhamento dos testes) clicando aqui:  criterios e avaliacao