By (Ana) Lou de Olivier publicando hoje a verdade de amanhã
 Lou de Olivier - Psicopedagoga, Psicoterapeuta, Especialista em Medicina Comportamental, Bacharel em Artes Cênicas e Artes Visuais. Precursora da Multiterapia e Criadora do Método Terapia do Equilíbrio Total/Universal.
Detectora do Distúrbio da Dislexia Adquirida/ Acquired Dyslexia.
É também Dramaturga e Escritora (vários gêneros).  
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DISCUSSÃO, SÍNTESE E CONCLUSÃO

Segundo a classificação do desenvolvimento cognitivo proposto por Piaget, no período pré–operatório, a criança é levada a desenvolver sua função simbólica (ou semiótica): a linguagem, a imitação postergada, a imagem mental, o desenho, o jogo simbólico.

Piaget denomina de função simbólica “a capacidade de evocar objetos ou situações não percebidas atualmente, utilizando sinais ou símbolos." Esta função simbólica desenvolve-se entre 3 e 7 anos. (Manual de Psicopatologia Infantil – pg. 37)

Na página 145 do mesmo manual, descreve-se a proposta de Piaget e seus continuadores em relação as provas (termo que substitui o teste), que consistem em uma conversa com a criança, na qual trocam-se argumentos, permitindo apreender a própria estrutura do raciocínio.
 
No período pré operatório: o da inteligência representativa (2 a 7 anos), estas provas repousam sobre a análise genética de figuras geométrica simples (círculo, quadrado, losango) e depois mais complexas.

Segundo Lauretta Bender (psicometria Genética pgs. 92, 93), aos quatro anos a criança já desenha duas figuras fechadas circulares (fig.4).

No caso do losango fechado (fig.8), produto da superposição, é possível reproduzi-lo a partir dos seis anos.

Aos cinco anos, a criança faz ovais orientadas verticalmente (fig.3,5), as quais converte paulatinamente em poliláteros aos seis anos, enquanto que aos sete chega a sobrepô-los, quando uma operação reversível lhe permite retornar ao ponto de partida da análise.

A partir dos sete anos, a criança executa hexágonos, embora os ângulos ainda fiquem arredondados e falte simetria nas subformas, sobretudo nos ângulos obtusos, que tendem a achatar-se por ser menos nítida a mudança de direção.
 
Aos quatro anos a criança desenha efetivamente um círculo que inclui outro (fig. 4), aos cinco anos, a forma maior adquire sua orientação horizontal.

Aos seis anos consegue desenhar um polilátero que se delineia como hexágono irregular um ano depois, ocasião em que a criança se contacta com os lados mais ou menos paralelos do hexágono na linha média.

Apesar da proposta de Piaget no sentido de “amenizar” os testes e de estar claro para Bender que somente aos onze anos a criança tem condições de reproduzir perfeitamente o modelo ( ângulos obtusos), depois de coordenar esquemas infralógicos de simetria e paralelismo junto a uma métrica de proporções, ainda assim, as crianças testadas ficaram muito aquém da média esperada para suas idades ( sete anos).
 
Desde os casos mais graves como Daniel (que não conseguiu fazer nenhum dos testes) ou Carlos (que, além de pouco responder aos testes, ainda teve uma reação colérica), até Joana e Sandra (que ao menos responderam a praticamente todos os testes), as crianças testadas apresentam grandes dificuldades de assimilação e reprodução de figuras, sejam elas geométricas ou não.

E todas as crianças têm em comum, uma dificuldade muito grande de guardar detalhes, vistos ou ouvidos, ou seja, têm falhas nas memórias visual , auditiva e seqüencial.

Todas são dispersas, inquietas, algumas chegam a ser hiperativas, exceto as meninas Sandra e Joana que, na realidade, são tímidas e quietas demais em relação aos outros.

 Ao lado, a síntese e a conclusão desta pesquisa.


 

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DISCUSSÃO, SÍNTESE E CONCLUSÃO

Pesquisa de Ana Lourdes de Oliveira, (pseudônimo Literário Lou de Olivier) concluída e publicada em 1997 simultaneamente no Brasil e Europa (Portugal/Inglaterra) em versão impressa e digital, fundamentou dois livros de Lou de Olivier "A Escola Produtiva" e "Problemas de Aprendizagem na pré escola" lançados em 1998 atualmente com edições esgotadas. Serviu como base de outros dois livros de sua autoria: "Distúrbios de Aprendizagem e de Comportamento" e o recente lançamento "Transtornos de comportamento e Distúrbios de Aprendizagem". Também foi publicada em forma de dossiê (em linguagem de Imprensa) pela Revista Psique Ciência e Vida -  edição de junho 2013 numero 90

 





Síntese:

Em síntese, as sete crianças testadas apresentam desenvolvimento cognitivo, sensório-motor abaixo da média.

Conforme já especificado no caso Marcos e reafirmado nos outros casos, todas as crianças testadas apresentam características básicas de dislexia, ou seja, confundem letras simétricas, possuem grande facilidade para ler e escrever “ em espelho” e apresentam “estrefossimbolia”, perturbação da dominância lateral, defendida por inúmeros autores já citados, como específica da dislexia.

Este é um dado bastante significativo, visto que todas as crianças testadas, em algum momento, escreveram espelhado/invertido.

As outras três crianças selecionadas a princípio, cujas ficha/relatório sugeriam anoxia perinatal, apesar de não terem sido testadas têm em comum o fato de não terem necessitado de recuperação, o que me leva a crer que não apresentem
problemas de aprendizagem.

CONCLUSÃO:

Concluindo, num grupo de dez crianças, possíveis vítimas de anoxia perinatal, sete delas apresentaram problemas significativos de aprendizagem, de memorização, inquietação/hiperatividade ou timidez excessiva e, nos dois casos mais graves, características autistas e/ou limítrofes.

Confirmando a pesquisa realizada por Kasen (1972) e já descrita no capítulo “ Estudos Comprovados ” ( pg.19 ), constatou-se que estas sete crianças testadas mostraram claramente a maior dificuldade de aprendizagem dos meninos em relação às meninas.

Estas, além de serem em menor número (duas meninas para cinco meninos problemáticos ), ainda conquistaram as duas maiores pontuações na somatória dos testes, conforme foi especificado nas tabelas (pg.38).

Reafirmando a colocação sobre a amplitude da memória auditiva e compreensão (citada na íntegra no capítulo Discussão, pg.50), todas as crianças apresentaram muitas dificuldades na retenção de imagens e quantidade de informações memorizadas, o que as caracteriza como possíveis detentoras de distúrbios neurogênicos de aprendizagem, limitando-as, ao receberem uma série de informações, impossibilitando-as de processar e memorizar as mesmas.

Dois casos destacaram-se por sua maior gravidade, sendo o primeiro, Daniel, que, além das dificuldades comuns a todos, apresentou também características de disgrafia (conforme especificado no capítulo Discussão, pg. 51), ao tentar, sem nenhum êxito, reproduzir as figuras e lembrar-se dos detalhes ouvidos na estória.

O segundo caso, Carlos ( citado na mesma página ), que, diante da sua dificuldade em responder as perguntas, reagiu de forma colérica e, com isso, demonstrou características limítrofes e até mesmo autistas, tornando-se assim, o caso mais complexo, visto pertencer a uma família com poucas condições financeiras e estar cursando uma escola pública, com muitos alunos e poucas chances de obter atenção especial.

Em vista disso, sugeriu-se aos pais das duas crianças que as encaminhassem a um Posto de Saúde, para que as mesmas pudessem ser avaliadas e passar por exames mais apurados, que acusariam com maior precisão o seu grau de comprometimento.

A professora foi orientada no sentido de melhor compreender as limitações dos casos mais amenos ( as duas meninas ) e dos intermediários ( os outros três casos ). E a entender essas crianças não apenas como dispersas e/ou desinteressadas, mas como indivíduos que necessitam de maior atenção e estímulo, para que possam aproximar-se ao máximo do padrão normal de aprendizagem esperado para suas idades...

“ Esta pesquisa, além da deficiência de aprendizagem causada provavelmente por anoxia perinatal, mostrou-nos também a desinformação dos profissionais de Educação; não por desinteresse, mas por falta de oportunidades para ampliar-se, a desestrutura de escolas que recebem muito mais alunos do que comporta o seu espaço físico, visando apenas o lucro, a ingenuidade dos pais que muitas vezes nem percebem ou recusam-se a acreditar que seus filhos apresentam problemas, dificuldades na escola ou fora dela. O muito que ainda precisa ser feito pela Educação de nossas crianças e que, apenas agora, começa a elucidar-se...


E, acima de tudo, mostrou que pode ser mais cômodo simplesmente reclamar do sistema de ensino do país e dizer que nada pode ser feito, mas, sem dúvida, é imensamente mais gratificante e produtivo buscar o máximo conhecimento possível e usá-lo para promover mudanças, se não de todo um sistema, ao menos, na escola em que lecionamos, no bairro em que residimos ou, até somente, dentro de nossas casas com nossos filhos. Se cada um puder empenhar-se numa melhoria, por mínima que seja, um dia as crianças problemáticas, em aprendizagem ou em qualquer modalidade, deixarão de ser tão somente estatísticas para transformarem-se em adultos que conseguiram superar suas limitações”.

 

Pesquisa de Ana Lourdes de Oliveira, (pseudônimo Literário Lou de Olivier) concluída e publicada em 1997 simultaneamente no Brasil e Europa (Portugal/Inglaterra) em versão impressa e digital, fundamentou dois livros de Lou de Olivier "A Escola Produtiva" e "Problemas de Aprendizagem na pré escola" lançados em 1998 atualmente com edições esgotadas. Serviu como base de outros dois livros de sua autoria: "Distúrbios de Aprendizagem e de Comportamento" e o recente lançamento "Transtornos de comportamento e Distúrbios de Aprendizagem". Também foi publicada em forma de dossiê (em linguagem de Imprensa) pela Revista Psique Ciência e Vida -  edição de junho 2013 numero 90